Autor convidado
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7 erros de português que você deve evitar em seus vídeos

Autor convidado
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Uma boa comunicação é uma das peças mais importantes quando pensamos em produção de material em vídeo para a internet.

Uma fala dinâmica e compreensível, bem como a apresentação, são itens que garantem que um conteúdo seja absorvido e bem aceito pelo público, gerando resultados.   

Mas, um elemento que merece atenção redobrada nessas horas é a utilização correta da língua portuguesa.

Um dos principais fatores para que um vídeo seja bem compreendido é apresentar um roteiro de acordo com a norma padrão.

Até mesmo se a proposta for uma abordagem mais casual e principalmente se o objetivo for ensinar alguma coisa. É aí que as pessoas acabam não prestando muita atenção e a locução é feita com erros de português.

E isso pode prejudicar todo o trabalho, pois um material com erros de escrita ou de fala acaba perdendo credibilidade.

Por isso, é muito importante ter atenção durante a organização e produção do roteiro, os detalhes podem fazer toda a diferença ainda mais se tratando de marketing digital.

Separamos então 7 dos principais enganos que acontecem para você aprimorar cada vez mais sua linguagem e evitar erros de português em seus vídeos.

1) Mas x Mais

É comum a confusão dos termos, pois eles têm grafia e sonoridade semelhantes. Só que os significados deles são bem diferentes.

Mas é uma conjunção adversativa, utilizada geralmente com a intenção de expor uma ideia contrária à que foi colocada antes.

Por exemplo:

  • “Pode parecer difícil, mas é mais fácil do que você pensa.”

Ele pode ser substituído por entretanto, porém, contudo, todavia, entre outros.

Já o mais é comumente empregado como advérbio de intensidade.  A ideia é expressar quantidade. Veja só:

  • “Com dedicação, se aprende mais“.

Uma dica aqui seria trocar pela palavra oposta menos, se fizer sentido, utiliza-se o termo mais.

2) Descriminar x discriminar

As duas palavras existem na língua portuguesa e apenas uma letra muda, e muito, o significado delas.

Discriminar é relativo à discriminação ou diferenciação. Este termo é muito utilizado para estabelecer situações de segregação ou até mesmo preconceito.

Mas o verbo também pode ser utilizado no sentido de separação de itens por lista, especificação ou detalhamento de algo.

Por exemplo:

  • “Vou discriminar os produtos de seu pedido”.

Já a palavra descriminar, escrita com “e”, significa a ausência de crime, inocentar ou absolver algo ou alguém.

3) Perca x perda

O emprego das palavras também gera uma certa confusão tanto na escrita quanto na fala, ainda mais por terem significados parecidos.

É importante lembrar que perda é um substantivo, identificada muitas vezes por artigos como a, uma, aquela.

  • “Avalie seu estoque para evitar uma perda do produto.”
  • “Ele lamentou a perda do desconto.”

Estes são alguns exemplos de aplicações da palavra.

Perca é uma conjugação do verbo perder, utilizada muito no imperativo ou na 1ª e 3ª pessoa do presente do subjuntivo. Como nos exemplos:

  • “Não perca esta chance!”
  • “Espero que ele perca a timidez e se apresente bem.”
  • “Tomara que eu não perca o horário do curso.

Nunca utilize perca como substantivo, como na frase:

  • “Uma perca como essa é lamentável.”

O correto seria “Uma perda como essa é lamentável”.

4) Meio-dia e meia x meio-dia e meio

A expressão meio-dia e meio, embora muito utilizada, está errada.

Isso porque a utilização das palavras meio ou meia nestes casos, simbolizam um valor fracionário.

Se a intenção é indicar o horário de 12h30, o correto seria empregar meio-dia e meia, com meia simbolizando metade de uma hora.

Agora, uma observação:

Se a intenção for indicar metade de um dia, aí o correto seria meio dia, sem o hífen. “Em meio dia conseguimos finalizar este trabalho”.   

Em caso de hora, há o emprego do hífen, como no exemplo “A reunião começará meio-dia e meia“.

5)  Há muitos anos atrás x Há muitos anos

É comum utilizarmos por impulso Há muitos anos atrás ou Há muito tempo atrás quando queremos falar de algo no passado.

Mas a utilização desta expressão está incorreta porque é redundante.

Quando empregamos o verbo haver desta maneira, ele já se refere a um tempo passado ou decorrido, então não há a necessidade de usar a palavra “atrás”.

O correto seria Há muito tempo ou Há muitos anos.

Dica extra: para não confundir também com a expressão “a anos”, que se refere ao futuro, basta tentar trocar o verbo haver por fazer.

Exemplos:

  • Há um ano terminei meu curso.
  • Faz um ano que terminei meu curso.
  • Só vou terminar o curso daqui a um ano. (Aqui a expressão indica futuro e não pode ser trocada pelo verbo fazer).

6) Vou estar mostrando x vou mostrar

A sentença Vou estar mostrando representa um vício de linguagem que ganhou até um nome específico: gerundismo.

É muito comum percebermos o seu emprego em setores de atendimento ou telemarketing, mas este tipo de construção está errado.

Não confunda gerundismo com gerúndio. O gerúndio é uma conjugação verbal prevista em nossa língua e indica que uma ação está em curso.

Seu uso pode ser verificado neste exemplo

  • “Ele apontou o dedo mostrando o local correto”.

Ou até mesmo com dois verbos como

  • “Enquanto você analisa, ela está mostrando outros locais”.

Agora, o gerundismo dá a impressão de que uma ação que não vai terminar nunca.

Ao invés de utilizar “Vou estar mostrando as opções para você”, experimente dizer “Vou mostrar as opções para você”, você vai se comunicar de maneira correta e muito mais direta.

7) Em vez de x ao invés de

A palavra invés é sinônimo de inverso.

Portanto, a expressão ao invés de deve ser utilizada em sentenças que demonstrem ideias opostas.

  • “Ele prefere doce ao invés de salgado”.

Já a expressão “em vez de” é melhor utilizada se aplicada com a intenção de demonstrar substituição por lugar, podendo ser substituída por no lugar de.

Ela nem sempre dá ideia de exata contradição entre os termos, mais indicando troca de alguma coisa ou alguém.

  • “Fui de carro em vez de moto por causa da chuva”.

Agora, veja este exemplo:

“Em vez de ficar esperando, crie suas próprias oportunidades”.

Aqui também caberia a expressão “ao invés de” pois dá uma ideia de contradição e as duas podem ser utilizadas para indicar contrariedade.

Se você ainda fica na dúvida, basta lembrar que em vez de pode ser utilizada das duas maneiras: como substituição por lugar e como o contrário de, porém ao invés de só pode ser empregada da última forma.

Por que é tão importante revisar os roteiros?

A produção de um material em vídeo envolve diversas etapas e as principais delas começam na escrita.

O pré-roteiro é o primeiro passo e um documento que vai dar a estrutura que deve ter o produto, com as principais pautas e atividades a serem desenvolvidas.

Também são utilizados o guia de filmagens e o teleprompter ou TP, que é um aparelho que exibe os textos na própria câmera para facilitar o trabalho do apresentador ou locutor.

Por fim, é produzido o roteiro final com todos os elementos indicados nele, desde os minutos de filmagem, cortes de vídeo, músicas,  textos e falas que devem ser utilizados.

Outro ponto importante é a abertura do vídeo, que também deve estar inserida ou preparada caso ainda não tenha uma.

Em todas estas etapas, a atenção deve ser redobrada, porém a revisão final deve ter o olhar detalhista para identificar os possíveis erros de português e de vícios de linguagem.

Assim, fica garantido um material rico e confiável, apresentado de maneira muito mais profissional.

Se você ficou interessado nas etapas de produção de vídeos e quer saber um pouco mais sobre este tema, recomendamos nossas dicas sobre como gravar vídeos.